
Deixa seus anjos e demônios/ Tudo está mesmo é nos neurônios / Num jeito interno De pressão / Talvez se possa, como ajuda / Ter uma amante manteúda / Ou um animal de estimação / Pega a palavra, pega e come / Não interessa se algum nome / Possa te dar indigestão / O que se conta e se aproveita/ É se a linguagem já vem feita / Com sua chave e seu chavão / A porta se abre é de repente / Como se no ermo do presente/ Se ouvisse a voz da multidão / E o que tem força, o que acontece/ É como um dia que estivesse / Sem calendário ou previsão / Fica de espera, de tocaia/ Talvez um dia a casa caia/ Talvez um dia a casa caia/ E fique tudo ao rés-do-chão/ Fica a fumaça no cachimbo Fica a semente no limão Fica o poema no seu limbo E na palavra um palavrão.

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