Este texto é um recorte de uma nota de rodapé do romance Musashi de Eiji Yoshikawa, editado pela Estação Liberdade. (nota 51).
Talvez agora possam entender porque me interresei nesse conceito nuvem-água.
Nuvens e água: nos mosteiros zen, os noviços são chamados unsui (lit. "nuvem-água") e as decorações do
templo zen comportam freqüentemente desenhos de nuvens e água. As nuvens movem-se livremente, formando-se
e reformando-se em conformidade com as condições externas e sua própria natureza, que não é tolhida por obstáculos.
"A água é submissa, mas tudo conquista. A água extingue o fogo ou, diante de uma provável derrota,
escapa como vapor e se refaz. A água carrega a terra macia, ou quando se defronta com rochedos, procura um
caminho ao redor. A água corrói o ferro até que ele se desintegra em poeira; satura tanto a atmosfera que leva à
morte o vento. A água dá lugar aos obstáculos com aparente humildade, pois nenhuma força pode impedi-la de
seguir seu curso traçado para o mar. A água conquista pela submissão; jamais ataca, mas sempre ganha a última
batalha." (Tao Cheng de Nan Yeo, um estudioso taoísta do século XI, citado por Blofeld em seu The Wheel of
Life). Essas virtudes da água são as do homem zen perfeito, cuja vida se caracteriza pela liberdade,
espontaneidade, humildade e força interior, além da capacidade de adaptar-se às circunstâncias mutáveis sem
tensão ou ansiedade. (Philip Kapleau: Oi Três Pilares do Zen. Ed. Itatiaia).
Sobre ser (Im)perfeito.
Há 9 anos

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