
Não é de hoje que a violência figura como um problema sem controle nas sociedades. Por gerações a fio a violência se mostrou de formas diferentes e com alvos diferentes, porém teve ao menos uma marca essencial. - A privação do direito de manifestação da vida em todos os seus âmbitos.
Nos noticiários fala-se cada vez mais das atrocidades sob a desculpa da necessidade de alertar a sociedade para o caos social em que nos encontramos, onde as autoridades do governo são acusadas de descaso, já que estão encarregadas imediatamente pela lei de resolver ou combater este problema de forma eficaz. Porém essa maneira que a informação é passada finda por criar uma banalização, pois acredito que o niilismo (um nada) social que vivemos onde a relações sociais são cada vez mais egoístas, nos faz viver uma insensibilidade com relação ao que passa com os outros. Assim nos acostumamos a ver todo aquele sadismo fino e televisionado para o qual não estamos nem aí – já que não acontece conosco. – Outra resposta contra a violência generalizada é a enorme quantidade de movimentos pacifistas. Chega a ser irritantemente enfadonho o tanto de discursos, passeatas e campanhas conscientes.
Talvez o medo e as campanhas tenham um efeito imediato na violência física e material do roubo e do assassinato, contudo não é suficiente. Pois nos vejo tão apáticos contra outras formas de violências, uma vez que, a maioria destas soluções é insuficiente, parciais, ao complexo problema que se esconde na violência.
A violência, vista no agressor, me parece o fruto, a expressão, de algo que o incomoda e o faz sofrer, ao sofrer ele não pode manifestar a potencialidade, a beleza, de sua humanidade. Ao extravasar - como o ‘ex’ da palavra mostra (para fora) – o que acontece por dentro impede que as outras pessoas também possam manifestar suas potencialidades, tronando-se assim suas vítimas e ele o agressor.
?Quantas das soluções apresentadas agem em cima deste problema? – Pouquíssimas. – Alguns falam de ter respeito para com o outro, mas o que se esconde aí é aquele sentimento de não invadir o espaço do outro para não sofrer retaliação – caso aconteça – toda a ignorância explode e a Paz artificial que se tinha vai pelos ares.
“Às vezes eu falo com a vida, às vezes é ela quem diz. – ?Qual a paz que eu na quero conservar pra tentar ser feliz?” – Rappa.
?Porque somos tão teimosos em manter uma paz que não nos faz felizes? – Freud diz que nós temos uma tendência muito forte para conservar as coisas. Mas eu acredito que aqui a falta de consciência do problema real nos leva a não saber qual a melhor opção e por causa de nossa ignorância caímos em ciclos viciosos.
Mas, ?qual é a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz? – ?Quantos desses esforços inúteis para alcançar essa paz fingida, fina e sádica, ainda queremos fazer? – Vivemos e lutamos por uma “Paz de Hipócritas” que falha ridiculamente. – É como tapar o sol com a peneira.
“Já que tudo depende da boa vontade, é de caridade que quero falar; É daquela esmola da cuia tremendo, ou mato, ou me rendo: é lei natural.” – Zé Ramalho.
?De que estamos falando? – ?De cidadãos? – !Não, de gente, de seres humanos! Na verdade não nada de inovador no que escrevo aqui, Jesus, Paulo, Ghandi, Martin Luther King jr. Cirdata Galtama (o Buda). Todos eles falaram a mesma coisa.
Mas fazendo eco das hábeis palavras de Zé Ramalho, estou falando aqui de Caridade, ou de Amor – se você prefere. – “Ou mato, ou me rendo, é lei natural.” Essa é uma verdade muito sabia, eu me permito imaginar quantas vezes matamos a beleza de viver das outras pessoas, e as nossas belezas, por deixar de Amar, por deixar de tratar os outro com Amor.
Quando eu disse acima que a violência era quando alguém impedia outra pessoa de manifestar sua beleza de viver é justamente por isso. É o grande crime é o crime contra O Amor. – ?Quem é culpado? – !Todos são culpados! – Na verdade a maior parte das inúmeras agressões que ocorrem são frutos de um complexo movimento social. – É uma bola de neve. Alguém começa, e o ofendido passa à frente e todos daqui a pouco estarão se matando – com tanto que não se invada o espaço um do outro. – o que é impossível.
Falamos tanto de Paz, de respeito e educação, mas quase não falamos do Amor. – ?Por que teimamos tanto em esquecer disso? – Eu acredito piamente que o único eficaz caminho para uma Paz verdadeira e sólida, é O Amor. – A prática do Amor a vivência do Amor Fraterno, antes de tudo, como irá propor habilmente Erich Fromm no seu livro A Arte de Amar.
Há um trecho da Bíblia que fala: “Buscai antes de tudo O Reino de Deus e sua justiça e todas as outras coisas lhes serão dadas em acréscimo.” – Aí esta. – Se Deus é Amor, o Seu reino seria a vivência de sua Lei, a prática do Amor e da justiça de Deus.
Se almejamos tanto a Paz – Agora minha critica vai mais diretamente aos religiosos cristãos que tanto discutem nas igrejas por anos a fio e não parecem ter entendido ou aprendido nada. –?Se queremos tanto a Paz, porque somos tão estúpidos? – Nossos tão nobres esforços parecem ir a todas as direções, menos na do Amor. A sociedade está violenta por que nós não amamos, a Família não sabe amar, as pessoas se unem e se casam sem a menor idéia de um Amor maduro e não ensinam seus filhos a amar e uma bola de neve vai se formando. – ?De quem é a culpa? – De todos – O Amor deve vir de todos e curar as feridas para que a Violência se faça mais rara. – Amar é permitir que o outro cresça e que conheça a beleza de ser o que é.
E sem dúvida aí está o maior dos mandamentos:
“Amarás ao Senhor teu deu de todo teu coração, de toda tua alma e com todas as tuas forças e amarás a teu próximo como a ti mesmo.” – ?Será que sabemos nos Amar? – ?Será que sabemos Amar?
Paulo disse:
“Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, se eu não tivesse amor (...) eu não seria nada (...) Agora portanto permanecem três coisas: A fé a esperança e O Amor. A maior delas é sem dúvida O Amor” – Paulo com certeza entendeu o que seu Mestre disse. (Esse trecho é bastante interessante sobre a concepção madura de amor: 1 Coríntios cap. 13.)
Existem muitos tipos de Paz que eu não quero conservar pra ser feliz, “ou mato” a minha humanidade e as dos meus semelhantes deixando de Amar “ou me rendo, é lei natural” e passo a fazer de meu mundo um mundo melhor amando. – Pois onde há Amor, há Paz. – E dentre tantas aspirações na vida de uma pessoa “a maior delas é sem duvida o Amor” ainda que inconscientemente.

